Renovando a primeira infância com Educação: talento e arte?
Ana Carolina Sabino dos Santos
Imagine que você está assistindo a uma palestra ou a uma aula de um curso extremamente desinteressante. Dá sono, e você começa a pensar no planejamento do fim de semana ou na praia que vai visitar. Você viaja, não é? Então, será que você precisa tomar Ritalina?
Vou contar uma história que vivi em um dos meus estágios, a história de Miguel (nome fictício)
Miguel era uma das crianças de que todos os professores falavam. Ele era considerado o aluno-problema, o pestinha da escola. Ninguém queria ficar na sala do Miguel. Mas ele era um menino muito inteligente. Em todas as atividades, estava sempre envolvido e animado.
Na hora da roda de conversa, por exemplo, Miguel era super agitado. Queria contar tudo que tinha feito no fim de semana, no dia anterior, mas não deixava ninguém falar, pois queria contar todos os detalhes. A professora sempre ficava brava com ele, o que despertava no Miguel a atitude de "já que eu não posso falar, ninguém mais fala". Então começava a agitação na sala. Miguel iniciava seu show, dava aquele sorrisinho de lado, fazia aquela cara de quem iria aprontar, e começava. Era gritaria e ele batia no colega que estava falando.
A professora o colocava de castigo, e Miguel foi ficando cada dia mais indisciplinado. Ele só queria contar tudo que tinha feito em casa, queria sempre continuar brincando com as atividades, mas era sempre repreendido.
Passaram-se algumas semanas no estágio, e um dia, durante a roda de conversa, percebi que Miguel estava meio sonolento e cansado. Curiosa, perguntei à professora o que estava acontecendo com Miguel, porque ele era sempre super animado e naquele dia estava sonolento e desanimado. A professora respondeu: "É que agora ele está tomando remédio, mas isso acontece até ele se acostumar com a medicação. Vai dar um pouco de sono mesmo.”
Daquele dia em diante, Miguel nunca mais foi o mesmo. Nas aulas, ele ficava sempre parado e focado no que a professora falava, sem muito ânimo para as atividades e brincadeiras, que antes ele disputava para ser o primeiro. Ele estava sendo medicado com Ritalina, um medicamento usado para tratar o TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.
Está se tornando rotina tratar com medicamentos problemas que não são necessariamente de saúde. Os medicamentos estão passando a ser o único meio para controlar os chamados "alunos-problema". Muitas vezes, o aluno está apenas sendo criança e já é diagnosticado pela professora com TDAH, por exemplo.
REFERÊNCIAS
• https://www.google.com/amp/s/www.contioutra.com/o-deficit-de-atencao-esta-comportamento-da-nossa-sociedade-e-nao-nas-nossas-criancas/amp/
• https://gutennews.com.br/blog/2018/10/01/como-a-escola-ajuda-o-aluno-a-desenvolver-habilidades-cognitivas-e-socioemocionais/
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